Reflexão sobre avaliação

            Nas escolas em que me formei passei por várias avaliações, sendo todas elas classificatórias, ou seja, avaliações que tem como único recurso de avaliação as provas, classificando por meio de notas quem sabe e quem não sabe. Lembro que muitas vezes eu estudava apenas para ser aprovada, esquecendo-me logo em seguida do conteúdo estudado e memorizado.
            De acordo com Luckesi (1995), provas e exames servem apenas para verificar o grau ou nível de desempenho em apenas um aspecto do desenvolvimento do aluno.
            Neste caso trata-se de uma avaliação reducionista, pois valoriza a utilização do instrumento prova ou exame, é reducionista também porque ocorre em períodos bem distintos e determinados dentro do ano, sendo que a avaliação fica reduzida a momentos estanques, não se caracterizando como um processo contínuo, presentes em todos os momentos da atividade escolar.
             Em minha reflexão percebo que pouca coisa mudou de lá pra cá, pois ainda é atual o emprego de provas classificatórias que mexem com o emocional dos alunos fazendo até mesmo que tenham uma amnésia repentina. Para Ferreira estes momentos dedicados aos rituais de provas constituem-se verdadeiros pesadelos para muitos, como nos diz Pizzi (1995, p. 36): “aparentemente tudo segue normalmente na escola, até que surgem os períodos das avaliações”.
            Período este em que apenas o aluno é avaliado, tratando-se então de uma visão unilateral. Conforme Ferreira é uma proposta de avaliação centralizadora e autoritária, pois se concretiza pelo poder que o professor detém sobre o aluno.
            Em minha prática como docente pude observar o estado emocional em meus alunos ficavam no período de provas e o stress causado pelos pais aos alunos. Devido a este fato eu e minhas colegas de escola resolvemos não aplicar provas e sim avaliar as atividades do dia a dia, utilizando não apenas essas atividades, mas nos valendo de outros meios, como participação nas aulas e trabalhos em grupo. Neste contexto passamos a assumir uma posição mediadora e diagnóstica, ou seja, passamos a nos preocupar com o ensino ao longo do desenvolvimento curricular.
            Desta forma podemos fazer como Ferreira (1992, p. 5) nos indica que:

                             “avaliar não é verificar a reprodução, mas fornecer as condições para que o aluno crie algo novo”. A avaliação “deve ser momento de questionar, de problematizar, de” “hipotetizar” o que já foi visto. “O professor deve criar formas de avaliações que levem em consideração o raciocínio do aluno, sua capacidade de produzir novos conhecimentos.”


            Concordo plenamente com Werneck (1997, p. 89) “muitas avaliações serão mais efetivas quando feitas durante o ato de aprender, porque facilitarão a imediata correção dos rumos”.
            Procuro fazer exatamente o que Werneck relatou acima, quando ensino um conteúdo novo, logo já procuro saber se meu aluno aprendeu ou não, caso o resultado seja negativo, crio novas estratégias para auxilia-lo nas suas dificuldades, mudando até  mesmo a metodologia.
            Com base nas abordagens cognitivista e humanista, expressas em Mizukami (1986), o professor é aquele que: “assume o papel de facilitador da aprendizagem, não é meramente um transmissor de conhecimentos. Cria condições para que o aluno aprenda, dando-lhe assistência. Trata o aluno como pessoa única e o aceita tal qual ela é.”
            Algo relevante é o que nos diz Rogers (1985) nos diz que o educador eficiente desenvolverá seu estilo próprio para facilitar a aprendizagem dos seus alunos e por inferência acrescentamos, para facilitar o processo de avaliação. Neste contexto tenho proporcionado atendimento individualizado para cada aluno meu, sentando-me ao seu lado para  auxilia-lo em suas dificuldades.
            Ao analisar a avaliação empregada nas charges pude perceber que a professora ali não leva em conta que:

“o aluno é um ser com características próprias dotado de individualidade, capaz de pensar e agir, e, para tanto, a escola e os professores devem estudar cuidadosamente meios e disposição para adaptar o processo de ensino – aprendizagem e, consequentemente, a avaliação às suas necessidades peculiares”.
  
            Portanto a  prática da avaliação que se fundamenta em concepções pedagógicas tradicionais denota uma necessidade de atualização, pois vivemos numa época de rápidas mudanças.
            Conforme Ferreira ( 1992, p.4 ) a avaliação deixa de “ser encarada como um meio de fornecer informações sobre o processo , tanto para que o professor conheça os resultados de sua ação pedagógica como para o aluno verificar seu desempenho.”
            Segundo Werneck ( 1995,p.67), o processo não é fácil porque “qualquer mudança exige trabalho, convicção,suporte economico e muita vocação”.

Referências:
FERREIRA,Lucinete.Retratos da avaliação.Editora mediação. 4ªedição.Porto Alegre. 2009

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