Análise de uma reunião pedagógica
Seminário Integrador
VII
Na reunião observamos diferentes
pontos de vista entre os professores e diretor, alguns apontam que o problema
está nos alunos, que estes são desinteressados e indisciplinados.
Nas
palavras da professora Orquídea, identificamos o empirismo, ou seja, o aluno é
considerado uma folha em branco, que chega a escola sem saber nada, pronto para
receber os conhecimentos, não levando em conta seus interesses. Sendo assim
empirismo é o nome desta explicação da gênese e do desenvolvimento do conhecimento.
Sobre a "tabula rasa", segundo a qual "não há nada no nosso
intelecto que não tenha entrado lá através dos nossos sentidos", diz
Popper (1991): “Essa ideia não é simplesmente errada, mas grosseiramente
errada...” Para ela as aulas tem sido frustrante, pois nada chama a atenção de
seus alunos embora no seu ponto de vista tenha criado aulas excelentes. O que
observamos aqui é que as aulas eram interessantes apenas para a professora e
não para seus alunos.
Já
nas palavras da professora Margarida, percebemos uma professora disposta a
mudanças, pois em seu relato ela diz que antes trabalhava do mesmo modo que a
professora Orquídea, mas que ao perceber a falta de interesse de seus alunos
resolveu mudar a sua metodologia, lançando desafios para seus alunos, entrando
então numa linha construtivista que leva em conta as ações.
Na
perspectiva construtivista um conhecimento sobre algo, só é possível enquanto
uma teoria da ação, da ação que produz este conhecimento.
Nesta
reunião encontramos uma professora chamada Rosa que se expressa dizendo algo
muito relevante, ela salienta a necessidade de se escutar os alunos, saber
quais são as suas dificuldades, quais são os seus interesses. sendo assim seus
alunos são os que definem o que vai ser
trabalhado. Isto me faz lembrar as Escolas Democráticas, onde os alunos são os
atores centrais e o professor é o mediador.
Segundo
Luckesi (1994) a pedagogia libertária espera que a escola exerça uma
transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e
autogestionário.
Nesta
escola democrática os valores cultivados são a prática da democracia e o
desenvolvimento de cidadãos autônomos.
Vemos
que a professora Rosa faz exatamente isto em sua sala de aula propõe que seus
alunos escolham o que querem estudar dando voz a eles e escutando-os , ela
relata que nem se mete, desenvolvendo neles a autonomia.
Outro
ponto relevante é o projeto político pedagógico, que é constituído de modo
coletivo, atendendo aos requisitos da participação da comunidade escolar.
A
escola onde leciono e que se diz democrática, ainda não constrói o seu projeto
político pedagógico, levando em conta todos os seguimentos, estudantes,
professores, funcionários e comunidade. Este documento é feito como mera
formalidade cumprindo apenas a burocracia.
A
o conversar com meus colegas sobre a escola da Ponte, pude ouvir a opinião de
duas colegas que relataram o seguinte: que esta escola não é para o nosso país,
não serve. A outra colega disse que talvez funcionasse nos anos finais do ensino
fundamental. Pude afirmar para elas que
o fundador da escola da Ponte fez a mudança de metodologia devido à necessidade
que ali havia, tratava-se de uma escola
muito violenta. Podemos notar que as
pessoas resistem as mudanças agarrando-se a o velho, ao tradicional.
Nessa
escola adota uma metodologia democrática onde cada aluno é único em seu
aprendizado e por isto respeita-se seu ritmo e as escolhas de cada um.
Vamos
falar um pouco do professor Cravo, ele afirma que tem uma grande diferença do
planejamento que utiliza na escola particular para a escola do estadual. Afirma
que os alunos da escola estadual não têm condições de acompanhar, se der tudo o
que da lá na particular aqui na estadual reprovaria a maioria. Questiono-me por
que tamanha diferença?
A
o ler o texto da maquinaria escolar pude obter uma resposta, as escolas foram
criadas para a elite, apenas eles tinham o direito de ter as melhores
instruções e os filhos dos pobres estudarem apenas para servirem de mão de
obra.
De
acordo com Varela e Urias, a intenção de adequar as classes populares á ordem
estabelecida e a escola como uma instituição encarregada de controlar a massa,
“adestrando-a”, moldando-a, aos interesses da burguesia em ascendência, e ao
mesmo tempo dando sentido de família, foi algo introduzido á obrigatoriedade
escolar.
Na
atualidade ainda estamos preparando os alunos para a mão de obra, ou seja, para
o trabalho. Pois damos mais importância aos conteúdos de matemática e
português, nas avaliações são as que têm mais peso. Outro ponto interessante é
a estrutura física dos prédios escolares, são parecidos com presídios,
corredores estreitos, portas com grades, muros altos. Ainda lembro-me de um dos
meus alunos fazer tal comparação.
Quero destacar aqui a palavra maquinaria,
esta palavra faz analogia a uma fábrica, pois em toda fábrica tem máquinas para
produzirem objetos seriados, e em toda escola tem alunos, onde são produzidos
ou treinados para a mão de obra.
Vemos
isto nas palavras do diretor Antúrio, que disse: Estou preocupado com o aumento
da indisciplina na nossa escola. O professor precisa ter o controle da turma. A
escola sempre existiu para mostrar as novas gerações o que se espera delas:
dominar os conteúdos e ser disciplinado. Não é atoa que a escola deste
professor está com o índice de avaliações muito baixo pois trata-se de uma
escola que não valoriza a participação dos alunos, não é democrática e sim uma
máquina de produção de alunos adestrados que agora se rebelam , mostrando a sua
insatisfação na hora das avaliações e dentro da sala de aula com sua
indisciplina.
Como
mudar tudo isto?
Acredito
que nos propondo a mudar assim como a professora Margarida e a professora Rosa,
sem medo de inovar.
Referências:
BECKER,
Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p. 89-96, 01 jun. 1994.
Semestral. 19(1).
FREIRE,
Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes
necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2009.
MACEDO,
Lino de. O construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p. 25-31, 01 jun. 1993.
TOSTO,
Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil. Ed. Especial, nº 4- “Cultura e
Materialidade Escolar” ISSN 2175-3318. V. 4. 2011.
VARELLA,
Julia et al. A Maquibnaria Escolar. Teoria
& Educação, São Paulo, n. 6, p. 68-96, 1992.
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