Inversão de Papéis

Na teoria psicanalítica os conceitos criados por Freud (para explicar o funcionamento da mente humana, considerando aspectos conscientes e inconscientes, que seriam três “partes” da mente, integradas e atuando em conjunto), determinam e coordenam o comportamento humano: Id, Ego e Superego.
 Na teoria psicossocial de Erikson propõe uma concepção de desenvolvimento em oito estágios psicossociais, dispostos por sua vez em oito idades que decorrem desde o nascimento até à morte, pertencendo as quatro primeiras ao período de bebê e de infância, e as três últimas aos anos adultos e à velhice, cada estágio sendo atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma negativa e cada estágio contribuindo para a formação da personalidade total (princípio epigenético), significando que todos são importantes mesmo depois de serem atravessados.
Assim, percebeu-se que a inversão de papéis ocorre em crianças e jovens com relação aos pais e vice-versa como consequência de uma reforma educacional que causou hesitação nos pais gerando insegurança quanto a imposição de limites e liberalidade exacerbada nas crianças e adolescentes, confundida com personalidade, determinação e autonomia.
 Há inversão de papéis entre filhos adultos e pais idosos, como consequência da impotência, fragilidade e carência dos últimos em relação aos primeiros, ou seja, os pais se tornam dependentes dos filhos. Os filhos, por sua vez passam a ser o principal, e as vezes único ponto de apoio dos pais.
Indo adiante, houve evidência de inversão de papéis entre pais e escola, pois cabe aos pais impor limites e formar bons valores em seus filhos, e, à escola, por meio de seus professores, escolarizar e dar continuidade ao processo. E não o inverso!
Enquanto docentes, podemos perceber o quarto estágio do desenvolvimento psicossocial de Erikson, que trata da produtividade /inferioridade (seis anos até a puberdade), período em que a criança está sendo alfabetizada e frequentando a escola, onde desfruta do convívio com pessoas de fora do seu âmbito familiar, exigindo dela a sociabilização. Pais, por exemplo, que não impõem limites e valores a seus filhos e concluem que a escola deva fazer isso – inversão de papéis –, acabam por levar os filhos a serem criticados pelos seus atos perante o grupo escolar onde a criança está inserida. Sendo assim, a criança passa a viver a inferioridade em vez da construtividade.
Logo, no desenvolvimento humano a resolução de conflitos resolvida de maneira negativa poderá levar o sujeito, a ter sentimentos de fracasso. No entanto, na fase posterior poderá superar e reconstruir seu autoconceito.
Dessa forma, para que as crianças cresçam emocional e intelectualmente saudáveis precisam muito do estabelecimento da afetividade com pais, irmãos e familiares, principalmente com os pais. A formação do ego e superego será a grande beneficiada desse convívio.
 Observar as fases do desenvolvimento humano é imprescindível, pois segundo Erikson, quando uma das fases apresenta um desfecho negativo, o ego fica mais fragilizado e a cada crise, a personalidade vai se reestruturando e se reformulando de acordo com as experiências vividas, enquanto o ego vai se adaptando a seus sucessos e fracassos. (Erikson apud RABELLO; PASSOS,
s/d, p. 3)

A MENTE É MARAVILHOSA. As oito idades do homem, de acordo com Erik
Erikson. 2016. Disponível em:
https://amenteemaravilhosa.com.br/oito-idades-homem-erik-erikson/




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