Dialogicidade
e curiosidade
A dialogicidade é a essência da educação como prática da
liberdade, nela estão sempre presentes as dimensões da ação e da reflexão.
Uma educação pautada na dialogicidade, fundada no
diálogo, é que se dá numa relação de humildade, encontro e solidariedade, ou
seja, numa relação horizontal, de muita confiança. O diálogo leva os homens e
mulheres a serem mais homens e mulheres, pois é sempre gerador de esperança.
Expomos a definição de diálogo que Paulo Freire propõe em
educação como Prática da Liberdade:
O que é o diálogo? È uma relação horizontal de A com
B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade (Jaspers). Nutre-se do amor,
da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só com o diálogo se
ligam assim, com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca
de algo. Instala-se, então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há
comunicação. O diálogo é, portanto, o indispensável caminho (Jaspers), não
somente nas questões vitais para a nossa ordenação política, mas em todos os
sentidos do nosso ser. Somente pela virtual da crença, contudo, tem o diálogo
estímulo e significação: pela crença no homem e nas suas possibilidades, pela crença de que somente
chego a ser eles mesmos” (2007, p.115-116).
A dialogicidade não pode ser entendida como instrumento usado
pelo educador, às vezes, em coerência com a sua opção política. A dialogicidade
é uma exigência da natureza humana e também um reclamo da opção democrática do
educador.
Não há comunicação sem dialogicidade e a comunicação está no
núcleo do fenômeno vital.
Freire chama a atenção para a natureza humana que ela se
constitui social e histórica. A trajetória pela qual nos fazemos conscientes
está marcada pela finitude, pela inclocusão e nos caracteriza como seres
históricos.
Por sermos seres inacabados e termos consciencia disto , se
abre um leque de possíbilidades de incersão numa busca permanente, sendo
assim, a permanência da educação também
está no caráter de constância de busca, percebida como necessária.
A consciencia do inacabamento torna o ser educável.
Freire afirma que à necessidade da experiência relacional no
nível da existência e dos contatos, no nível da vida e neste contato e relação o elemento
fundamental é a curiosidade.
De acordo com Gurgel:
Aprender é um grande desafio da vida e para
aprender cada vez mais temos que ser curiosos e nos libertarmos da prisão dos
conhecimentos acumulados que nos acomodam. A mente humana está preparada para
ampliar os limites do conhecido, é uma ferramenta poderosa e pode ser explorada
de tal forma que consigamos soluções extraordinárias para qualquer tipo de
problema. Viver apenas do que já aprendemos na vida, estreita a visão e
dificulta o aprendizado.
.
Ainda, segundo Freire (2003), sem a
curiosidade que nos torna seres em permanente disponibilidade à indagação,
seres da pergunta – bem feita ou mal fundada, não importa – não haveria a
atividade gnosiológica, expressão concreta de nossa possibilidade de conhecer.
Essa curiosidade não é aquela ligada ao cotidiano, desarmada, espontânea, mas,
sim, aquela ligada à rigorosidade metódica, indagadora, crítica. Logo, o
educador que possibilita a seu aluno ser cada vez mais criador e mais crítico
em seu aprendizado poderá desenvolver nesse a sua “curiosidade epistemológica”. Portanto, a “curiosidade epistemológica” tem
papel significativo no processo ensino aprendizagem, pois segundo Freire (2003;
p. 78):
Não é a
curiosidade espontânea que viabiliza a tomada de distância epistemológica. Essa
tarefa cabe à curiosidade epistemológica – superando a curiosidade ingênua, ela
se faz mais metodicamente rigorosa. Essa rigorosidade metódica é que faz a
passagem do conhecimento do senso comum para o do conhecimento científico. Não
é o conhecimento científico que é rigoroso. A rigorosidade se acha no método de
aproximação do objeto. A rigorosidade nos possibilita maior ou menor exatidão
no conhecimento produzido ou no achado de nossa busca epistemológica.
Enquanto
prática docente e discente a educativa é uma prática gnosiológica por natureza.
O papel do educador progressista é desafiar a curiosidade ingênua do educando
para, com ele, partejar a criticidade. É assim que a prática educativa se
afirma como desocultadora de verdades escondidas.
Os
regimes autoritários são inimigos da curiosidade. Punem os cidadãos por ela. O
poder autoritário é bisbilhoteiro e não curioso indagador. Já a dialogicidade é
cheia de curiosidade, de inquietação. De respeito mútuo entre os sujeitos que
dialogam. A dioalogicidade supõe maturidade, aventura do espírito, segurança ao
perguntar, seriedade na resposta. No clima da dialogicidade, o sujeito que
pergunta sabe a razão por que o faz. Não pergunta por puro perguntar.
Para Freire (2003), dialogar não é tagarelar.
Por isso pode haver diálogo na exposição crítica, rigorosamente metódica, de um
professor a que os alunos assistem não como quem come o discurso, mas como quem
apreende sua intelecção.
Referências:
MALA ANDRADE, Daiane.
MION AURORA, Rejane. A curiosidade
Epistemológica no Processo de Ensino – Aprendizagem de Educação Física no
Ensino médio. Disponível em:
<http://www.histedbr.fe.unicamp.br/acer_histedbr/seminario/seminario7/TRABALHOS/D/Dayane%20Rejane%20Andrade%20Maia.pdf> Acessado em: 10 de Nov. 2017
ALMEIDA, Laura Isabel
Marques Vasconcelos de Teoria Freiriana,
Disponível em:
http://www.ice.edu.br/TNX/storage/webdisco/2008/12/19/outros/bad879e8d37e495bf4c18d97206
9fb2.pdf Acessado em:
10 de novembro 2017
GURGEL, Adriano, A importância da curiosidade. Disponível
em:
Acessado : 10 de
novembro de 2017
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