Educação:
o lugar da escola? Que processo é esse?
Uma das
grandes tarefas da Educação é o combate a todas as formas de preconceito,
especialmente o racismo, que apesar de todos os avanços e debates ainda está
muito presente, sendo sutilmente reproduzido através de práticas, de conceitos
e pré – conceitos.
A nossa
sociedade brasileira é constituída pela desigualdade, onde alguns grupos (negros, índios, pessoas do campo, pessoas
com necessidades educacionais especiais), são vistos como seres inferiorizados,
discriminados e inexistentes destro da pedagogia.
Esses grupos através de suas
organizações coletivas sejam elas políticas, de assistências sociais,
culturais, religiosas e outras, vêm traçando ações ou movimentos no combate a
discriminação, que tem privilegiado como eixo central á educação como forma de
mudança das ideias de pré – conceito, na busca de que sua cultura seja
entendida, reconhecida e respeitada como legítima e não como algo inferior.
Os confrontos
no campo do conhecimento, dos valores e saberes das culturas e identidades faz
parte da formação de nossas sociedades. Perduram como um campo de tensões
políticas na diversidade de fronteiras, ações coletivas e movimentos sociais.
Infelizmente
há um padrão de classificação das culturas, dos saberes e racionalidades.
Associados ainda a um padrão cognitivo e pedagógico que tem operado como
padrões de classificação social, étnica, racial, de gênero, de hierarquizações
e bipolaridades cognitivas dos coletivos humanos, coletivos primitivos,
irracionais, incultos, selvagens, ignorantes, segregados do poder versus
coletivos cultos, racionais, civilizados, detentores do poder-saber. Sem dúvida o texto de
Arroyo nos faz refletir como construir uma escola que não separe os
sujeitos ou os classifique como marginalizados.
Entender
o papel educativo da luta destes grupos inferindo no papel social da educação é
contribuir no processo de desalienação em que o capitalismo submete a todos de
uma forma indistinta, criando a divisão dos próprios trabalhadores, seja, pelas
questões de exploração de classe através de salários e condições de trabalho
diferenciadas entre negros e brancos, homens e mulheres, seja pelas
possibilidades de acesso aos recursos institucionais, como escolas,
universidades e outros.
Quanto às diferenças sociais, elas
são bem retratadas no filme, Quanto vale ou é por Kilo? Faz-nos pensar em dignidade e
direitos humanos e a educação está entre esses direitos.
O filme faz um paralelo entre duas
épocas que mostra o que as classes dominantes “ignoram” por “conveniência”, que
é a realidade excluída dos desfavorecidos e seu poder é em grande parte formado
pela dominação e exploração destes. O que ocorre hoje, como reflexo ou
continuidade desse processo, é simplesmente uma questão social gerada pelo modo
de produção capitalista que impera na sociedade.
Embora a garantia
e o reconhecimento dos direitos humanos tenham ocorrido ao longo de um processo
sócio-histórico e cultural, construído por meio de lutas e reivindicações,
ainda hoje, em pleno século XXI, em muitos lugares, esses direitos não são
respeitados, ferindo, assim, a dignidade da pessoa. Vale lembrar que a educação
é um dos direitos garantidos por lei na Constituição Federal Brasileira e na
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei Federal n.º
9394/1996).
Por
conta disso, a instituição escolar torna-se um lócus privilegiado por
ser um espaço de convivência com a diversidade. É um espaço ideal para a
discussão de questões referentes aos direitos humanos, devendo assumir o
compromisso de educar o olhar dos estudantes quanto a seus direitos legais.
O autor Miguel Arroyo (2003) entende e assume a
educação como um processo de humanização que deve incorporar dimensões
perdidas, visões alargadas, sensibilidades novas para os sujeitos
inferiorizados historicamente. Ele apresenta as pedagogias que primam em
transformar “outros” em “nós” e somente dessa forma terão condições de terem
uma vida digna e humanizada.
Miguel Arroyo (2003), afirma que o direito dos
coletivos ao conhecimento sistematizado nos espaços do sistema é um dos campos de
pressão das ações coletivas. .Entretanto, os movimentos sociais enquanto novos
atores políticos não limitam suas ações no campo do conhecimento retomando as
lutas históricas pelo acesso, ocupando os espaços de sua produção.
A escola, aqui vista como espaço
de transformação e conhecimento, não pode se omitir diante de tantas questões.
Para Cunha (2006), a solução para
barrar esse distanciamento social seria a busca pelo desenvolvimento da
autonomia dos seus alunos, com isso a escola faria com que os mesmos
aprendessem a encarar de forma crítica as informações que recebem independente do meio. Dar
sentido e significado ao que se ensina e não tentar estabelecer uma relação de
utilidade, pois “estudos relevantes são aqueles que apresentam um interesse, um
significado, que estão ligados, relacionados com aqueles que os fazem” (CERTEAU, 1995, p.105 apud CUNHA, ano 2006, p.09)
Referências:
ARROYO, Miguel G. Ações Coletivas e Conhecimento: outras
pedagogias? Acessado em
12/05/2015: http://www.universidadepopular.org/site/media/leituras_upms/Acoes_Coletivas_e_Conhecimento__30-11-09.PDF
QUANTO Vale ou é por Quilo. Direção: Sérgio Bianchi. Gênero: drama. Tempo: 1:48. Ano: 2005.
https://www.youtube.com/watch?v=fZhaZdCqrH. Acesso em 19 de abril de 2015.
MISSIO,
Luciani e J. L. CUNHA, Um
olhar sobre a educação moderna no século XXI. Trabalho desenvolvido no Núcleo de Estudos
Sobre Educação e Memória – CLIO/CE/UFSM. II
Seminário Nacional de Filosofia e Educação. Anais. Santa Maria, 2006. http://coral.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/056e4.pdf. Acesso em 20 de abril de 2015.
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