Letramento espacial
Resumo do artigo GEOGRAFIA E A CARTOGRAFIA ESCOLAR
NO ENSINO BÁSICO: UMA RELAÇÃO COMPLEXA – PERCURSOS E POSSIBILIDADES
No decorrer da escolaridade os alunos precisam
desenvolver habilidades de reconhecimento espacial como a lateralidade, a
percepção de imagens em diversos pontos de vista, as relações de distância, a
interlocução de quadros paisagísticos, o ordenamento de pontos de referência e
muitas outras. O desenvolvimento destas habilidades garante uma maior
apropriação das relações espaciais quando adultos.
O letramento representa não somente o reconhecimento
direto de signos, mas o potencial que estes signos têm nas relações e
interpretações de um determinado espaço. O letramento vai além de identificar a
referência espacial, ele propõe o significado dessa referência no conjunto da localização.
Para melhor compreensão sobre a construção do
conhecimento e principalmente sobre o espaço inserido no ensino de Geografia,
utilizamos basicamente a obra de Jean Piaget. Buscamos uma pesquisa inicial
acerca dos conceitos por ele desenvolvidos como: assimilação, acomodação,
equilibração, desequilibração, reversibilidade, abstração reflexionante e
objetivação. Estes conceitos presentes na Epistemologia Genética contribuem
para o entendimento dos processos que permitem a construção do conhecimento da
Cartografia e da Geografia, pois esse necessita ser mediado, discutido,
assimilado, acomodado, equilibrado e desequilibrado, gerando assim, movimentos.
Como forma de afirmar a importância da construção do
conhecimento, segundo Jean Piaget (2001), para a Geografia e para o processo de
aprendizagem da linguagem cartográfica, nos baseamos na afirmação de que o
conhecer não consiste no copiar o real, mas agir sobre ele e transformá-lo, de
maneira a compreendê-lo em função dos sistemas de transformações aos quais
estão ligadas estas ações. Para conhecer os fenômenos, o sujeito não se limita
a descrevê-lo tal como aparecem, mas atua sobre os acontecimentos, de modo a
dissociar os fatores, a fazê-los variar e assimilá-los a sistemas de
transformações lógico-matemáticas (Piaget: 2001, 15).
Dessa maneira, a Epistemologia Genética é uma perspectiva
epistemológica, a partir da qual procuramos explicar o desenvolvimento humano,
auxiliando a compreensão dos processos de aprendizagem.
Muitos alunos apresentam desinteresse em trabalhar com a
Cartografia escolar. Esse desinteresse pode estar vinculado aos próprios
professores que ensinam Geografia nas escolas. Há pouco tempo para o
aprendizado efetivo sobre a relação da Cartografia na compreensão do espaço
geográfico, na sua formação acadêmica, sendo esta uma deficiência repassada
para os alunos. De que maneiras então, podemos estabelecer uma trajetória para
que ocorra a alfabetização cartográfica? Os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs)) incluem a linguagem cartográfica e os mapas como conteúdo obrigatório
para o ensino de Geografia. No entanto, o uso de mapas na sala de aula não
significa que os alunos consigam aprender os conceitos da Cartografia, e esse parece
ser o problema didático que se atrela à alfabetização cartográfica. Os PCNs
para o ensino de Geografia destacam o lugar como instrumento de análise
geográfico, e por meio da representação desses espaços, deve ser instigado à
interpretação, através de habilidades cartográficas. Entretanto, que
habilidades devem ser utilizadas para que permitam aos alunos realizarem a
leitura de um mapa?
Este “ouvir os alunos”, talvez seja um ponto importante
para a construção de uma alfabetização cartográfica, escutá-los, pois também
são agentes do espaço, também o experimentam, ocupam, o vivem dando significado
para ele. Utilizar de questionamentos que instiguem a curiosidade dos alunos,
contribuindo para a construção do saber da ciência geográfica. Os questionamentos
são formas de alfabetizar, são colocações diferenciadas dos conteúdos
estruturadas por caminhos diferentes, são os alunos colocados em situações
diferentes, que os desiquilibrará, levando com isso, a situações de
aprendizagem. Em suma, o caminho a ser traçado para que ocorra a alfabetização
cartográfica, pode conter vários elementos a serem considerados neste processo,
principalmente com a utilização da Cartografia, pois a Geografia lê o mundo por
meio da paisagem, a Cartografia é a linguagem que a representa (Moreira: 2012).
Conhecer é um processo de investigação e descoberta individual, cabe ao
professor provocar este ato.
Referências:
Rafael Sebastiá Alcaraz Emilia María Tonda Monllor (Eds.)
GEOGRAFIA E A CARTOGRAFIA ESCOLAR NO ENSINO BÁSICO: UMA RELAÇÃO COMPLEXA –
PERCURSOS E POSSIBILIDADES
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