PLANEJAMENTO
DE ENSINO
Planejamento de ensino é planejar o que
vou ensinar, pensando com antecedência em todos os detalhes, levando em
consideração para quem estou planejando e o que quero alcançar, organizando os
recursos disponíveis e levando em conta os pós e os contras.
“Planejar é antecipar e projetar de modo consciente, organizado
e coerente todas as etapas de uma determinada atividade que visa alcançar
certos objetivos que levam a transformações concretas do que se pretende
realizar.” ( Rays 2000)
Quando fazemos um planejamento de ensino a aula é de um jeito,
quando não fazemos a aula é de outro jeito, ou seja, quando planejamos ,
sabemos todos os passos que temos de tomar, sabemos tudo o que pode acontecer e
como contornar qualquer situação pois esta já é esperada, a aula transcorre de
modo tranquilo e prazeroso. Mas quando não planejamos uma aula e fazemos
qualquer coisa, esta aula se torna agitada, desorganizada e sem foco.
Para muitos o planejamento é um ato mecânico, mas já que
temos que planejar e queremos uma educação de qualidade é preciso observar em
sua elaboração cinco momentos que se planejados em sua simultaneidade vai
garantir ao educando um ensino consistente e concreto.
Vamos ao primeiro momento: Escola e Realidade Social
O ponto de partida será a realidade sociocultural dos
alunos, este momento é uma etapa indispensável que fornecerá elementos
concretos para o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, ou seja, o
ponto de referência será uma análise bem feita da realidade de cada aluno,
estrutura familiar, escolaridade, condição financeira, moradia, religião, suas
preferências, seus interesses e objetivos na vida.
Na escola em que
leciono isto é feito de modo meramente burocrático na hora da matrícula onde se
faz as perguntas de praxe para o preenchimento de qualquer documento e que
ficam registrados na secretaria para a consulta dos professores interessados em
seus alunos. Outro modo acontece no primeiro ano onde é realizada uma
entrevista com os pais para se tomar conhecimento da realidade do aluno. Em minha opinião esta entrevista deveria
acontecer em todos os anos, mas não nos é permitido tal façanha.
Na minha prática vou chamando os pais individualmente
para conhecê-los e saber detalhes de meus alunos, criei o whats da turma onde
são os pais que acompanham as novidades, rotina e recados.
Pois a realidade social
da comunidade é de famílias em que pai e mãe trabalham fora e na tem tempo para
irem à escola. Feito o whats os pais ficaram muito felizes pois agora poderão
acompanhar e interagir com a professora virtualmente e diariamente.
Segundo momento: Retrato Sociocultural do Educando
Nesta etapa está envolvido não apenas a coleta da análise
do primeiro momento, mas também o diálogo crítico entre o educador, os
educandos, pais e pessoas da comunidade em que a escola está inserida, com o
objetivo de chegar a uma ação pedagógica comprometida com o aluno.
Outro fator
relevante é conhecer as características de aprendizagem dos alunos que estão
diretamente ligadas ao retrato sociocultural dos mesmos. È interessante aqui
destacar o projeto de aprendizagem, onde os alunos através do diálogo com a
professora vão delinear o que estudar e como querem estudar de acordo com seus
interesses.
A análise dos dois momentos já citados é essencial para o
desenvolvimento dos demais momentos do planejamento da ação pedagógica. Esses
momentos iniciais levam tempo para serem concluídos, mas não será em vão, uma
vez que fornecerão elementos significativos para uma prática pedagógica
coerente e correta, comprometida com a realidade educativa e social.
Este segundo momento fez-me lembrar da lista de material
que sugeri para o ano letivo. Venho de uma cultura em que a lista era dada no
inicio do ano e que nos primeiros dias de aula os alunos entregavam para a
professora o que foi solicitado. Porém a cultura da escola onde estou
lecionando não é a mesma, pois os mesmos estão acostumados a não colaborar com
nada, só querem receber da escola.
Baseado no
dialogo, na realidade social da comunidade consegui entrar em acordo com eles e
ganhar os materiais solicitados com forme a necessidade, ou seja, com forme eu
for pedindo. O mesmo ocorre em relação aos temas de casa, tenho observado que a
cultura da comunidade é não fazer os temas, outro ponto é cultura os pais não
comparecerem a escola nas reuniões. Conforme já mencionado no texto criei o
grupo da turma no whats atingindo 90% dos responsáveis.
Sim conhecer a
realidade e o retrato social do nosso aluno é coisa séria e necessária, como
educadores precisamos fazer este diálogo com a comunidade.
Terceiro momento: Objetivos de ensino- aprendizagem e
conteúdos de ensino
Os objetivos e conteúdos programáticos devem ser
repensados durante todo o desenvolvimento do curso. Um objetivo de ensino
aprendizagem concreto só tem valor se ligado a um conteúdo programático também
concreto.
Os objetivos de ensino-aprendizagem irão preocupar-se com
operações mentais sempre ligadas a um conteúdo concreto, que revelem por parte
do educando conhecimentos, habilidades, atividades axiológicas, emoções, etc.,
frente a um corpo de conhecimentos que seja representante significativo do
mundo da cultura e do mundo da natureza.
Todo objetivo de ensino aprendizagem deve ser se
preocupar com o objetivo maior de todo sistema educacional, isto é,
proporcionar meios para a formação do homem crítico e criativo. Superando e
temporizando o conhecimento acadêmico veiculado pela escola e ir além da
reprodução desse conhecimento é o que se pretende com a metodologia sugerida
neste momento.
Na minha prática
procuro meios para tornar o ensino mais agradável para meus alunos,
proporcionando criação de jogos matemáticos, para que aprendam brincando e criando,
em ciências proponho experiências, vídeos, laboratório, em português incentivo
a escrita espontânea, a leitura de diversos livros que as crianças podem levar
para casa, em história a representação através do teatro, em fim, procuro
tornar as minhas aulas mais agradáveis e interessantes, mas sei que ainda falta
muito para atingir o objetivo de trabalhar assuntos que realmente interessem
aos alunos.
Quarto momento: Procedimentos de Ensino- aprendizagem (
ação-reflexão-ação)
Chegou a hora de
colocar os objetivos em ação, nesta etapa vamos buscar e organizar os caminhos,
as metodologias de trabalho que visam promover concretamente a aprendizagem dos
conteúdos. O como desenvolver o objetivo-conteúdo inclui a participação dos
alunos de forma direta ou indireta, a participação dos alunos no planejamento
deste momento torna-se quase imprescindível.
Desta forma as atividades de aprendizagem , assim como as
intenções da aula, não são resumidas a reprodução de conhecimentos de forma
puramente acadêmica (memorizar para depois repetir) e, sim, no sentido de
atingir a elaboração do conhecimento ou no sentido da sua redescoberta ou
redefinição. (Rays, 2000)
Até este momento estamos construindo um ensino de
qualidade formativa, onde toda atividade de aprendizagem se constitui num
desafio permanente, num desequilíbrio transformativo, construtivo.
Quinto momento: A avaliação da aprendizagem
A avaliação tem
como relevância para o desenvolvimento e diagnóstico permanente do processo de
ensino-aprendizagem, com vistas ao seu replanejamento e consequentemente, á sua
melhoria. Este é o tipo de avaliação que utilizo a de diagnóstico com o
objetivo de fazer melhorias, de trocar uma metodologia que não está funcionando
por outra que seja mais eficaz, em fim, para ver se o aluno está assimilando os
conteúdos ou não. O ato de avaliar não pode ser confundido, portanto, com o ato
de medir.
Esse momento do ato de planejar e do processo de ensino
está, pois, intimamente correlacionado aos quatro momentos anteriores do
planejamento de ensino descritos acima e somente tem valor se estiver a serviço
da aprendizagem do aluno.
Conclusão:
Os cinco momentos estão todos interligados pelo ato de
planejar consciente e concretamente a ação educativa. Este planejamento é um
ato processual e dialético – em que o mundo educacional e o mundo social não se
separam jamais. Por isto todo profissional na área de educação tem de ter coerência
entre o seu pensar e o seu agir.
Referências:

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