ESCOLAS DEMOCRÁTICAS, CONSTRUTIVISMO, EMPIRISMO E MAQUINARIA ESCOLAR
Uma escola democrática é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial na democracia participativa, dando direitos de participação iguais para estudantes, professores e funcionários, onde os alunos são os atores centrais do processo educacional e o professor é o mediador das relações interpessoais e facilitador do descobrimento. A partir deste conceito a relação professor-aluno torna-se de parceria e ausente de qualquer tipo de autoritarismo ou inferioridade em ambos os lados.
Outro aspecto importante de uma escola democrática é dar aos estudantes a possibilidade de escolher o que querem fazer com seu tempo. Os estudantes são livres para escolher as atividades que desejam ou que acham que devem fazer.
Segundo Luckesi (1994) a pedagogia libertária espera que a escola exerça uma transformação na personalidade dos alunos num sentido libertário e autogestionário.
Hoje temos uma escola como referência de Escola Democrática no mundo todo, a
Escola da Ponte. Sua proposta de aprendizagem é libertária e inclusiva, a partir da ideia construtivista que desencadeia a nova pedagogia em andamento. Essa escola destaca se por trabalhar inteiramente na gestão democrática, tornando-se exemplo para pesquisas e estudos nessa área.
Os grandes valores cultivados dentro da Escola da Ponte, são a pratica da democracia dentro da própria escola, como cidadãos autônomos. Esse exercício de cidadania faz com que os alunos aprendam a viver em sociedade, ao mesmo tempo em que a estrutura administrativa da escola funcione.
A estrutura de gestão de uma escola democrática pressupõe a reativação ou mesmo a constituição de mecanismos de participação, a exemplo dos colegiados, que devem assumir funções não apenas de apoio à direção, mas de consulta quanto à sua opinião e participando nas deliberações sobre assuntos que remetam ao cotidiano escolar.
Os órgãos de gestão têm como elemento unificador de esforços o projeto político pedagógico, que é construído de modo coletivo e, portanto, atendendo aos requisitos de participação da comunidade escolar.
Essa escola adota uma metodologia democrática onde cada aluno é único em seu aprendizado e por isso respeita-se o ritmo e as escolhas de cada um.
Atividades manuais e criativas ganharam destaque no currículo e as crianças passaram a ser estimuladas a experimentar e pensar por si mesmas.
O construtivismo
1. O construtivismo valoriza as ações, enquanto operações do sujeito que conhece.
Ao construtivismo interessam as ações do sujeito que conhece. Estas, organizadas enquanto esquemas de assimilação possibilitam classificar, estabelecer relações, etc, sem o que aquilo que, por exemplo, se fala ou se escreve para alguém não tem sentido para ele. Ou seja, o que importa é a ação de ler ou interpretar o texto e não apenas aquilo que, por ter-se tornado linguagem.
2. O construtivismo produz conhecimento em uma perspectiva não formal ou, se se quiser apenas formalizante.
A produção construtivista do conhecimento é formalizante, mas não formalizada. Nela, forma e conteúdo, ainda que não confundidos, são indissociáveis Daí, por exemplo, preferir-se na aprendizagem da leitura e escrita da criança trabalhar a partir do nome dela ou de textos que tenham sentido ou valor funcional em sua cultura.
A visão construtivista tem um trabalho constante de reconstituição ou tematização (o que exige descentração e coordenação dos diferentes pontos de vista, então produzidos).
Tematizar é, por isso, reconstruir em um nível superior aquilo que já realizamos em outro nível. Tematizar é construir um novo conhecimento, para um velho e ignorado saber, reduzido a sua boa ou má função instrumental. Na tematização a exigência é a da demonstração, da reconstituição e transformação de algo já sabido.
3. No construtivismo o conhecimento é concebido como um tornar-se antes de um ser.
No construtivismo o conhecimento só pode ter o estatuto da correspondência, da equivalência e não da identidade (Piaget, 1980). Por isso, o conhecimento só pode ser visto como um "tornar-se" e não como um "ser". Em uma perspectiva adulta, formal, já constituída (ainda que em constante reformulação), sabemos, por exemplo, que há um conhecimento sobre leitura e escrita a ser transmitido. Trata-se de um conhecimento socialmente produzido e acumulado, cuja transmissão precisa ser feita ou repetida naqueles que ainda não sabem ler ou escrever.
Para o construtivista a criança já sabe escrever desde o primeiro dia de aula, ainda que este seu saber conhecerá muitos aperfeiçoamentos (no processo de sua necessária tematização), tal que se torne mais legível e publicável para seu autor ou para um outro.
4. Ao construtivismo o conhecimento só tem sentido enquanto uma teoria da ação (em sua perspectiva lógico-matemática) e não enquanto uma teoria da representação.
Na perspectiva construtivista um conhecimento sobre algo (seja num plano individual, ou coletivo, como se faz em História da Ciência, por exemplo), só é possível enquanto uma teoria da ação, da ação que produz este conhecimento.
5. O construtivismo é produto de uma ação espontânea ou apenas desencadeada, mas nunca induzida.
Só a ação espontânea do sujeito, ou apenas nele desencadeada, tem sentido na
perspectiva construtivista. Sabemos que há construtivistas “natos”. Professores que se preocupam mais com o processo de aprendizagem de seus alunos. Que gostam deste nhenhenhém das crianças, que valorizam a informação contextualizada e como pode ser produzida pela criança. Professores que, nunca tendo ouvido falar deste nome (“construtivismo”), “traiam” a cartilha e inventavam um número de outros recursos para aprendizagem do ler, escrever e contar.
O professor construtivista deve saber muito a matéria que ensina.
trata-se de saber bem para discutir com a criança, para localizar na história da ciência o ponto correspondente ao seu pensamento, para fazer perguntas inteligentes, para formular hipóteses, para sistematizar, quando necessário.
Empirismo
O empirismo defende que todo e qualquer conhecimento só pode ser adquirido através da experiência sensorial, também, é o começo do desenvolvimento do conhecimento.
Pra muitos professores, o aluno é uma folha em branco. Então, de onde vem o seu conhecimento (conteúdo) e a sua capacidade de conhecer (estrutura)? Vem do meio físico ou social. Empirismo é o nome desta explicação da gênese e do desenvolvimento do conhecimento. Sobre a "tabula rasa", segundo a qual "não há nada no nosso intelecto que não tenha entrado lá através dos nossos sentidos", diz Popper (1991): “Essa idéia não é simplesmente errada, mas grosseiramente errada..." (p. 160).
Maquinaria Escolar
A palavra maquinaria faz uma analogia com uma fábrica, pois em toda fábrica tem máquinas para produzirem objetos seriados, e em toda escola tem alunos, onde são produzidos ou treinados para a mão de obra.
O texto abordado por Varela e Uria, fala sobre o surgimento de instâncias que favoreciam a escola nacional e sua definição em relação de um estatuto da infância. Observamos condições abordadas tanto social quanto histórica, que permitiam a escola enquanto estabelecimento, como instituição eterna.
A intenção de adequar as classes populares à ordem estabelecida e a escola como uma instituição encarregada de controlar a massa, “adestrando-a”, moldando-a aos interesses da burguesia em ascendência, e ao mesmo tempo dando sentido de família, foi algo introduzido à obrigatoriedade escolar.
Referências:
* Referência: BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1). Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/260250772/BECKER-Fernando-Modelos-pedagogicos-e-modelos-epistemologicos-2-pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.
* Referência: TOSTO, Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista Pandora Brasil, ISSN 2175-3318. v. 4. 2011. Disponível em: <http://docplayer.com.br/7270548-Escolas-democraticas-utopia-ou-realidade.html>. Acesso em: 10 abr. 2018.
* Referência: MACEDO, Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação e Realidade, Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1). Disponível em: <https://www.ufrgs.br/psicoeduc/piaget/o-construtivismo-e-sua-funcao-educacional/>. Acesso em: 10 abr. 2018.
* Referência: VARELA, Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria & Educação, São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992. Disponível em: <https://pt.scribd.com/doc/70553618/Julia-Varela-e-Ferrnando-Alvarez-Uria-Maquinaria-Escolar-1>. Acesso em: 10 abr. 2018.
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