"Manifesto dos Educadores e Educadoras Brasileiras do século XXI"

            Nós, professoras da rede pública estadual e/ou municipal da educação, alunas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Faculdade de Educação – Curso de Graduação Licenciatura em Pedagogia – Modalidade a Distância, reiteramos nosso compromisso ético com a população brasileira. Apresentamos à nação nossa pauta de alerta sobre a criança e a(s) infância(s) na pós-modernidade, que necessitam do olhar urgente e constante, para não agravar ainda mais a situação que vem atingindo o setor da educação. Setor este, onde de maneira sorrateira, porém intensa está atuando a Pedagogia das mídias. Para tanto, necessitamos apresentar ideias e conceitos importantes, necessários para se compreender o que este documento pretende.

1. Entendendo a Pós-Modernidade: Na concepção de Mariângela Momo (2010), segundo Lipovestky (2004),o termo “pós–moderno”, caracteriza uma (de direção que ocorre em profundidade no modo de funcionamento social e cultural das sociedades democráticas avançadas, ele argumenta que a pós–modernidade deve ser entendida como período  de transição para os tempos Hipermodernos. Já, para Baumam (2000) o termo significa, uma sociedade uma condição humana, o autor utiliza este termo ao expor as condições de uma época em que praticamente nada é mais sólido, nada mais é também a mesma forma, fixada em um espaço, durante longo tempo. Momo caracteriza a atualidade constituída por um tempo marcado por alterações fundamentais  como “condição pós-moderna e Sarmento (2003) como 2ª modernidade.
 2. Definição do Estatuto de Infância: É imperioso saber que o estatuto da infância foi elaborado historicamente relacionando classes, família e práticas educativas. O conceito de infância foi influenciado, também, por questões moralistas e cristãs, conforme apontam os estudos de Varella e Alvarez-Uria (1992), expressos no texto “A Maquinaria Escolar”. A partir do século XIX a escola passa a ser obrigatória e a ser um dos instrumentos constitutivos e propagadores do sentimento de família e da infância. Eis que nasce o primeiro olhar para a criança, e consequentemente para a infância.
3.  Entendendo o Conceito de Infância: Na constituição da criança, Jenks (2002) registra três conceitos, quais sejam: selvagem, natural e social. Assim, a criança selvagem refere-se às crianças no sentido de que são diferentes e menos desenvolvidas que os adultos racionais, necessitando de explicações, o que nos autoriza a estudá-las. Já, a criança natural refere-se ao que é normal, ser criança, ter sido criança e ter de se relacionar com crianças; são experiências que tornam esta categoria “normal” transformável em “natural”, ou seja, a infância é vista como algo garantido, necessário, inevitável não carecendo de estudos sobre elas. Por fim, criança social refere-se ao que a criança vai ser, é como uma tábua rasa, onde se colocam todos os alicerces, a modelagem do individuo, a apropriação, o crescimento, a preparação, a inexperiência, a imaturidade e assim por diante. Nesse sentido, Borges e Cunha (2015) trazem a criança soft, retratada através da figura do bebê lindo, branco e com traços de perfeição. A mídia impõe o fato de que todos os bebês deveriam ser assim e acabam por vender seus produtos, através dessas imagens. Entretanto,  a exposição diária a essa mídia faz com que a maioria das pessoas cedam ao consumismo e passem a  almejar  um bebê soft. Dessa maneira, basta colocar a palavra bebê na internet que já aparece um bem lindo, macio, fofo e "perfeitinho".
4. Relação Professor/Aluno: Na perspectiva de Kupfer, a aprendizagem depende da razão, a qual motiva a busca pelo  conhecimento,  ressaltando o porquê de sua importância. Assim, a criança desperta o desejo de saber quando começa a perceber as diferenças sexuais.  Da mesma forma, para a autora, Freud introduz a ideia da importância da relação professor-aluno, a fim de um desempenho escolar satisfatório. Ocorrem também, reações inconscientes do professor em relação ao discente no
 processo de transferência de conteúdos, onde o primeiro demonstra afinidade a determinados alunos, conforme estímulos recebidos.
5. Qualificação da Educação: É inegável que a qualificação da educação pelo resgate da valorização dos professores deve permear ações da gestão na esfera pública. Tal cuidado deve visar à eliminação de distorções, como contratos emergenciais precários, sobrecarga de trabalho e ausência de estrutura mínima para oferecer o atendimento ao qual a criança/infância merece e tem direito.
6.  Utilizando os Conhecimentos para Aprender: O professor que prepara suas aulas levando em consideração os quatro tipos de conhecimentos consegue que seus alunos aprendam muito mais. Sendo assim, segundo Rangel (2008) o conhecimento social é uma convenção, e, dessa forma, é muito necessário e a única configuração de ser adquirido é recebendo a informação diretamente de alguém que a tenha, no conhecimento social o professor serve de modelo fornecendo o máximo possível de informação. Conhecimento físico é aquele que se pode obter pela manipulação direta dos objetos e a função do professor em relação a esse conhecimento é o material para a sala de aula e o incentivo aos alunos para manipularem esses objetos. O conhecimento motor ou procedural está relacionado a melhoria que ocorre quando é feito um exercício, à medida que vamos exercitando todos os dias o mesmo exercício motor ele vai se tornando “automático”. Conhecimento lógico é aquele que decorre de um estabelecimento de relações, trata-se de uma construção interna, resultante dos conhecimentos físicos, sociais e motores.
7.  A Pedagogia das Mídias: Inobstante, junto à escola e a família, as mídias vem atuando de modo decisivo nas formas de educação e produção da infância – Pedagogia das Mídias.
            Então:
            Atenção, Educadores e educadoras e nação brasileira do século XXI, ligados nas mídias de internet, televisão, outdoors, rádios etc. Não se deixe levar pelos apelos fascinantes das imagens erotizadas que incentivam o consumo e a pedofilia pela contemplação de um pseudo-produto ou pseudo-serviço. O que está em jogo são nossas crianças, nossa(s) infância(s). Não aja por impulso. Nem se deixe iludir com as promessas dos anúncios, com a aparência de crianças plasticamente perfeitas. A propaganda com apelo à infância inocente, à infância “soft” criará na criança e em você mesmo uma desesperada necessidade na qual se sentirão excluídos por não terem o objeto do desejo. Abra os olhos, fique alerta, pois o que você vê não passa de um jogo psicológico da pedagogia da mídia.

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